"A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar." (Martin Luther King Jr)

Controle de Processos

Insira seu usuário e senha para acesso ao software jurídico

Notícias

Newsletter

Webmail

Clique no botão abaixo para ser direcionado para nosso ambiente de webmail.

Painel da Semana do Meio Ambiente do TRE-SP debate crise climática sob a perspectiva do racismo ambiental

Nesta quarta-feira (16), às 14h, aconteceu o painel “Justiça em risco: racismo ambiental e a proteção de populações vulneráveis em desastres ambientais”, primeiro evento da Semana do Meio Ambiente 2026 do TRE-SP e que está disponível no canal da instituição no YouTube. O encontro está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU, bem como ao macrodesafio de promoção de sustentabilidade e à visão de futuro do TRE-SP para ser reconhecido como um tribunal inovador e sustentável.Foram convidados os palestrantes Agenor Calazans da Silva Neto, advogado da União na Procuradoria Nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente, e Daiane da Silva Carvalho, vice-diretora e pesquisadora do Instituto Cíclica, organização da sociedade civil dedicada à produção de conhecimento aplicado e que tem como foco a justiça social, as políticas públicas e o fortalecimento institucional. A mediação foi feita pela servidora Érica Leal, da Seção de Desenvolvimento Humano e Organizacional (Sedho/Coede/SGP).Realidade social e regulamentação jurídicaAgenor falou sobre as emergências climáticas e como o racismo ambiental se manifesta para além dos eventos extremos propriamente ditos. “O atual estado em que nos encontramos de crise climática vem comprovando cada vez mais que os eventos extremos são muito mais do que os fenômenos isolados, eles produzem impactos econômicos, sociais, sanitários e até mesmo institucionais profundos e, normalmente, desiguais. E os seus efeitos se agravam diante de cenários de vulnerabilidades sociais históricas.” O advogado da União explicou que o racismo ambiental ocorre quando minorias historicamente vulnerabilizadas — como negros, indígenas, quilombolas e moradores de periferias — sofrem de forma muito mais intensa os efeitos da degradação ambiental e de eventos climáticos do que o restante da sociedade.“Quem mora em áreas de risco, encostas, regiões sem saneamento adequado, áreas alagáveis ou locais com pouca ou nenhuma infraestrutura urbana tende a sofrer primeiro e a sofrer mais diante de eventos climáticos extremos. E isso não acontece por acaso, isso é resultado de todo o processo histórico de exclusão territorial, desigualdade urbana, ausência de políticas públicas estruturantes, uma distribuição desigual da proteção estatal e, que a gente consolidou neste momento no conceito de racismo ambiental”, afirmou.Ainda segundo o advogado da União, é por essas razões que o debate sobre o clima é também um debate sobre justiça social. Nesse sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou em dezembro a Resolução CONAMA 511/2025, definindo princípios e diretrizes para a incorporação da justiça climática e do combate ao racismo ambiental nas políticas e ações ambientais. “Essa resolução traz uma contribuição muito importante, ao definir juridicamente alguns conceitos, como o de justiça climática, racismo ambiental e letramento racial e de gênero, sinalizando uma mudança importante de paradigma, em que a política ambiental brasileira passa a reconhecer formalmente que a proteção ambiental, os direitos humanos e o enfrentamento de desigualdades estruturais precisam andar juntos.”De acordo com a resolução mencionada, racismo ambiental é “discriminação institucionalizada envolvendo políticas, impactos ou diretrizes ambientais e climáticas que afetam ou prejudicam, por ação ou por omissão, inpíduos, grupos ou comunidades de forma diferenciada com base em raça ou cor, pessoas de ascendência africana e asiática, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, ciganos, refugiados, migrantes, apátridas e outros grupos raciais e etnicamente marginalizados”.“O grande desafio do nosso momento atual é este: construir instituições capazes de responder efetivamente à crise climática sem abandonar ninguém, sem repetir preconceitos, valendo-se da Agenda 2030, sem deixar ninguém pra trás”, afirmou Agenor. A servidora do TRE-SP Érica Leal fez a mediação do debateEmergência climática e acesso à JustiçaDaiane Carvalho, por sua vez, apresentou dados da pesquisa realizada pelo Instituto Cíclica no âmbito do programa Justiça Plural, que teve início em 2024 e é uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Esse programa visa fortalecer as capacidades do Poder Judiciário para a promoção dos direitos humanos, socioambientais e para a ampliação do acesso à Justiça por populações estruturalmente vulnerabilizadas.Segundo a pesquisadora, os principais resultados obtidos deram conta de que o desastre socioambiental produziu os seguintes impactos institucionais duradouros: deslocamento prolongado de famílias, perda de documentos e registros civis, dificuldade de acesso a benefícios, conflitos fundiário e habitacionais e a judicialização de políticas de reconstrução como garantia de direitos.Além disso, em diálogo com os efeitos duradouros, as enchentes produziram novas demandas judiciais, sobrecarregando o sistema. “Nós detectamos mais de 17 mil processos com o assunto ‘Enchentes no Rio Grande do Sul’, e esses processos repercutiram em diferentes áreas, como seguridade social, questões cíveis relacionadas a moradia e reconstrução, direitos trabalhistas, demandas tributárias e penais associadas ao desastre. A gente conseguiu observar, assim, que o desastre climático gerou sim um ciclo prolongado de demandas jurídicas e que essas demandas acabam ganhando novas características”, afirmou a pesquisadora.Esse contexto revelou que a ocorrência do desastre coloca à prova a própria capacidade de resposta das instituições. “Surgiu, na própria elaboração dos atores do sistema de Justiça, que a experiência de atuação reativa, que muitas vezes precisou ser construída na improvisação, fez surgir uma necessidade de avançar para uma atuação mais preventiva e estratégica das instituições, e que há espaço para desenvolver capacidades institucionais voltadas à emergência e recuperação”, afirmou Daiane.O achado central da pesquisa foi que as crises ampliam desigualdades estruturais no acesso à Justiça. “Os dados indicam que populações que historicamente são expostas a desigualdades em seu cotidiano, em contexto de crise vivenciaram de forma mais intensa os impactos das emergências climáticas. Comunidades periféricas, municípios menores, mulheres, crianças, pessoas com deficiência, pessoas de classe social mais baixa foram as mais impactadas nesse contexto”, afirmou Daiane. Ainda segundo ela, restou evidenciada a necessidade de um trabalho de base para orientação desse público, que muitas vezes nem sabia ao que tinha direito, e os efeitos da exclusão digital.Também como fruto da pesquisa, o Instituto Cíclica produziu a Cartilha para Equipamentos da Política Social de Assistência Social, que foi compartilhada com o público durante a palestra.imprensa@tre-sp.jus.br
17/06/2026 (00:00)

Contate-nos

QUARTIERI SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

Rua Cândido Carneiro  133
-  Vila Bom Jesus
 -  São José do Rio Preto / SP
-  CEP: 15014-200
+55 (17) 3364-0362+55 (17) 98107-0673
Visitas no site:  865599
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia