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CNJ reúne mães, pesquisadoras e sistema de Justiça em evento sobre cuidado

“Como construir instituições mais humanas, inclusivas e comprometidas com a sustentabilidade da própria vida? Essa é uma questão que atravessa desde a Justiça Federal de Alagoas até o Supremo Tribunal Federal e que exige de nós uma resposta. O cuidado sustenta as famílias, as relações sociais e as próprias instituições democráticas”. A reflexão do presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, marcou a abertura do Circuito dos Cuidados, realizado nesta segunda-feira (25/5) pelo Grupo de Trabalho de Cuidados do CNJ, em Brasília (DF). Ao longo do dia, o trabalho de cuidado deixou de ser apenas tema de debate para ganhar rostos, memórias e vozes nas histórias compartilhadas por mães impactadas pela epidemia de Zika vírus. Memória e acolhimento Entre fotografias, objetos e relatos reunidos na exposição [ainda], inaugurada durante o Circuito dos Cuidados, Fachin conversou com mães sobre as transformações vividas desde a epidemia de Zika registrada no Brasil entre 2015 e 2016. Com curadoria da antropóloga e professora Débora Diniz e participação do Comitê Mulheres e Memória, a mostra retrata a vida de mulheres de Alagoas após a crise sanitária e reflete sobre memória, maternidade e cuidado. As imagens revelam não apenas os impactos deixados pela epidemia, mas também uma década de mobilização em torno do cuidado, da construção de redes de apoio e da busca por políticas públicas. “Todos os dias nós transformamos a dor em sofrimento e o sofrimento em coragem para lutar. E, dez anos depois, nós ainda estamos aqui”, afirmou Germana Soares, integrante da Associação Famílias de Anjos do Estado de Alagoas (AFAEAL). A iniciativa é liderada pela Anis – Instituto de Bioética e pela AFAEAL. A exposição permanece aberta ao público até 12 de junho, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, no hall do CNJ. Reflexões sobre o cuidado O Circuito dos Cuidados reuniu representantes do sistema de Justiça, pesquisadoras, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para discutir o acolhimento, a equidade e a pisão desigual do trabalho de cuidado, historicamente concentrado sobre as mulheres. As diferentes dimensões desse debate também atravessam o curta-metragem Precisamos Falar de Cuidados, dirigido pela documentarista Paula Sacchetta e produzido pelo GT de Cuidados no Poder Judiciário. A partir de depoimentos coletados em 17 tribunais, o filme reúne experiências sobre os impactos do trabalho de cuidado na vida cotidiana e chama atenção para a forma desigual como essa responsabilidade é distribuída na sociedade. Para Paula Sacchetta, o audiovisual pode contribuir para ampliar essa reflexão. “Se não falarmos disso, não conseguimos nem começar a falar de equidade”, afirmou a diretora durante o lançamento do filme. A sobrecarga enfrentada pelas mulheres foi repetidamente lembrada nos relatos de mães de crianças nascidas durante a epidemia de Zika. “Eu vivo Tamara, eu respiro Tamara. Eu não tenho horário para comer, para dormir. Eu tenho mais vida como mãe do que como mulher. Psicologicamente, eu estou extremamente cansada”, desabafou Ruth Pereira ao falar sobre a rotina vivida nos últimos dez anos. A programação também incluiu uma apresentação do Instituto Alana sobre dignidade menstrual e cuidado, ampliando as discussões sobre bem-estar, inclusão e acesso a direitos. De hoje até 28 de maio, o Instituto integra uma ampla programação em alusão à Semana da Dignidade Menstrual, em que lança a campanha Ser menina não deveria doer. Avanços e resultados Durante o evento, também foram apresentados os resultados preliminares de duas pesquisas realizadas junto a tribunais e a pessoas trabalhadoras do Poder Judiciário. Os levantamentos envolveram os 91 tribunais brasileiros e reuniram mais de 15 mil respostas de magistradas, magistrados, servidoras, servidores e demais profissionais do Sistema de Justiça. As pesquisas foram conduzidas entre fevereiro e maio de 2026, com o apoio técnico do Programa Justiça Plural, parceria de cooperação internacional entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Texto: Lali Mareco Edição: Sâmia Bechelane Revisão: Gabriela Amorim Agência CNJ de Notícias   Número de visualizações: 21
25/05/2026 (00:00)

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